Por Carlos Brickmann em 20/03/2012 - Observatório de Imprensa
O excelente repórter Agostinho Teixeira, da Rádio Bandeirantes de São Paulo, tem divulgado sucessivos furos de reportagem: entre outros, negociou dinamite com um cavalheiro preso em Fortaleza, que mandava entregar a encomenda a domicílio, em qualquer local do país. Agora, entrou na área médica: no Guarujá, litoral chique do estado, um garoto ficou com dor de ouvido à noite. A mãe o levou ao pronto-socorro e lá o médico a informou de que não poderia examinar o menino porque o aparelho, o otoscópio, estava sem pilha. E qual seria a pilha: alguma daquelas baterias especiais, com encaixes específicos? Não: uma pilha média – tamanho C, se este colunista não se engana. O médico não parecia nem um pouco preocupado: faz tempo que pedimos a pilha, o governo não manda e o aparelho está parado. A mãe foi procurar uma pilha para comprar, mas as lojas já estavam fechadas. Alguém se lembrou de que o filho tinha um brinquedo com uma pilha daquelas e a cedeu. A mãe voltou ao pronto-socorro e o médico atendeu, além de seu filho, outro garoto com o mesmo problema.
Teixeira ouviu o comando do pronto-socorro, as enfermeiras, e todos confirmaram: como não havia pilhas e o governo não as enviava há meses, o aparelho estava parado. Alguém havia reclamado com os jornais, por exemplo? Não: todos se limitavam a dizer que não examinariam ouvidos por falta de uma pilha baratinha. O governo, a propósito, prometeu ligar mais tarde para informar o que acontecia e, naturalmente, esqueceu o assunto.
Por que os demais meios de comunicação não repercutiram o assunto? O caso da dinamite, e outros casos divulgados pela emissora, também não ganharam suite em outros veículos. Terão cortado, para economizar, os eficientes radioescutas que acompanhavam o noticiário do rádio? Ou será que, por preguiça, preferem pegar pautas já em texto, para não ter o trabalho de entender do que se trata nem de transcrever o áudio?

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