sábado, 25 de fevereiro de 2012

A ILHA DO MEDO!

QUEM DERA UM DIA OS COMERCIANTES DO GUARUJÁ PODER DISPOR DA SEGURANÇA DA PREFEITA MARIA DE BRITO!


Tão perto da polícia e tão vítimas de assaltos: comerciantes de Guarujá sem segurança

Quando abriu seu negócio em frente ao Paço Municipal Rahael Vitiello, na Avenida Santos Dumont, em Guarujá, a comerciante Marli Lodi sentiu-se segura. Afinal, além daquela ser uma das vias mais movimentadas do Município, no estacionamento da Prefeitura há um ponto onde os policiais militares estão em permanente alerta.

Essa percepção da realidade mudou já no primeiro mês. Ao chegar no local pela manhã, constatou que bandidos tinham levado durante a noite todas as ferramentas da loja e um computador.

Mas nada disso a preparava para o que aconteceria agora, sete meses depois do furto. No último dia 15 ela foi abordada por dois homens com armas em punho, às 15 horas. Eles levaram dois notebooks, dois aparelhos telefônicos, um rádio e um celular.

Assim que os indivíduos saíram em suas bicicletas pelas ruas do Bairro Santo Antônio, ela e sua funcionária gritaram desesperadamente para os policiais do posto da Prefeitura.

Revolta

A partir desse ponto o relato de Marli é de pura indignação. Ela lembra que os policiais vieram caminhando até o local e ao serem informados do ocorrido, simplesmente olharam na direção em que os marginais fugiram e mandaram-na telefonar para o 190.

“Eu não acreditei quando vi aquilo. Liguei para o 190 e a viatura demorou 40 minutos. Quando chegaram, os policiais me informaram que os PMs do posto não têm autorização para sair dali”.

O irônico é que aquele endereço parece ter se tornado um dos points dos bandidos, que além de não se intimidarem com a presença dos policiais, não se importaram em assaltar até uma loja especializada em equipamentos de monitoramento. Márcio Oliveira Alves, proprietário desse estabelecimento, conta que também foi abordado em pleno dia, em outubro do ano passado.

“O cara encostou a bicicleta na calçada”, lembra Márcio Alves, “e entrou sacando a arma. Levou R$ 180,00 do caixa e um notebook. Ainda questionou por que eu não tinha nada de mais valor ali”.

Depois disso, Márcio Alves mandou construir um muro para separar o balcão dos consumidores e passou a atender apenas por meio de uma porta. No último mês, entretanto, ele decidiu manter o muro apenas pela metade e se mantém agora em um local estratégico na loja, de onde pode observar a chegada de algum suspeito antes que seja visto. “A gente trabalha se sentindo praticamente refém. Se os policiais que estão ali na Prefeitura viessem na hora, conseguiriam pegar”, reclama o lojista.

Gravidade

Segundo o comerciante, a situação é tão grave que o dono de uma elétrica ao lado de sua loja não aguentou os assaltos e fechou as portas. “Ele foi embora porque não tinha paz. Estava trabalhando para sustentar os bandidos”, diz Márcio Alves.

O dono de uma sorveteria das imediações, que prefere não se identificar, foi abordado duas vezes em dois anos. “Levaram R$ 400,00 em cada uma das vezes. Nem fiz boletim de ocorrência, pois não adianta”.

Segundo os entrevistados, os bandidos geralmente são jovens e chegam sempre de bicicleta e com a cara limpa. Além disso, costumam fazer jus à expressão “a ocasião faz o ladrão”. Isso porque parecem escolher as vítimas de acordo com a oportunidade.

Doméstica

Foi o que aconteceu com a doméstica Glória dos Santos, por exemplo, quando voltava do Santo Antônio para a Vila Zilda, onde mora, e foi abordada por um homem de bicicleta. Isso aconteceu em dezembro do ano passado, quando ela se preparava para atravessar a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, ao lado do Paço Municipal Moacir dos Santos Filho.

“Ele mandou eu dar o celular e o dinheiro. Eu não tinha nenhum dos dois. Então pegou minha bolsa e estava olhando dentro quando uma viatura se aproximou. Aí me devolveu a bolsa e mandou eu atravessar a rua logo, sem olhar pra trás. O pior é que eu não conseguia passar, por causa dos carros, e ele ficou me ameaçando. Foi horrível”, recorda Glória.

A doméstica também não fez boletim de ocorrência, e não engrossou uma estatística que, em Guarujá, apresentou aumento entre 2010 e o ano passado. A quantidade de furtos aumentou 23,3% no período, indo de 3.037 para 3.746, praticamente dez por dia, segundo o site da Secretaria de Segurança Pública do Estado. 

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