JARDIM ACAPULCO, TERRA SEM LEI!!!
Carlos Ratton - Jornal Diário do Litoral
Um mês após a morte da pequena Grazielly Almeida Lames, de apenas três anos, na Praia de Guaratuba, em Bertioga, atropelada por um jet-ski descontrolado e ligado por um adolescente, uma nova ou mais tragédias podem ocorrer envolvendo menores. Só que, desta vez, não será no mar, mas em terra firme, porém, sem lei.
Trata-se dos abusos cometidos por adolescentes no Jardim Acapulco, loteamento de classe alta, em Guarujá, que agrega residências de veraneio de centenas de endinheirados da Capital e muitos personagens famosos, como os jogadores Neymar, do Santos Futebol Clube (SFC), e Robinho, do Milan da Itália.
Sem qualquer tipo de restrição por parte dos pais ou fiscalização de autoridades de trânsito, dezenas de adolescentes dirigem motocicletas, automóveis e veículos motorizados, em alta velocidade, sem serem habilitados.
A moda da molecada é os quadriciclos. Sozinho ou com outros menores na garupa (chega a ser mais de um, segundo relatos), os adolescentes usam as ruas do loteamento como se fossem pistas de corrida. E a brincadeira já é responsável, em média, por três acidentes por final de semana. Tudo acobertado pelos pais ou responsáveis pelos menores.
O Diário do Litoral conseguiu, com exclusividade, o depoimento de um morador que pediu para ter sua identidade preservada. Ele testemunhou vários acidentes e garante que os adolescentes colocam não só a própria vida em risco, como a de dezenas de funcionários que trabalham no loteamento, além dos outros proprietários.
Nos finais de semana e feriados prolongados a situação é insustentável, pois os adolescentes disputam as ruas com os adultos. Para se ter uma ideia, segundo levantamento, no Carnaval, em um único dia, o posto médico que existe dentro do loteamento atendeu nove adolescentes acidentados.
Os casos vão desde quedas simples e queimaduras, até acidentes graves de politraumatismo – cortes e quebra de braços, pernas, cabeça e outras partes do corpo. “Os quadriciclos são os preferidos da molecada, que não tem regras. Já presenciei um quadriciclo com seis e até sete adolescentes. O loteamento tem se esforçado para tentar coibir, como campanhas educativas, mas não vem obtendo resultado, porque os pais não têm autoridade sobre os filhos. Na verdade, isso é caso de polícia”, disse o morador inconformado.
Conforme explica, os menores não poderiam conduzir quadriciclo, por se tratar de um veículo motorizado, com mais de 50 cilindradas. Portanto, é necessário ser maior de idade e possuir carteira de habilitação. “Mas os quadriciclos não possuem, sequer, placas. Ou seja, não dá nem para identificar o proprietário do veículo em caso de acidente”, afirma.
Polícia não entra
Conforme o morador, as irregularidades envolvendo adolescentes na direção de veículos será muito difícil de ser combatida porque os moradores tratam o local como se fosse um condomínio fechado, com leis próprias e sem fiscalização.
“O Acapulco é uma ilha dentro de Guarujá. O imposto lá é altíssimo, porém, o poder público praticamente não presta serviços nem de varrição de ruas. A segurança e toda a estrutura é bancada pelos moradores”.
O morador finaliza com um agravante. Segundo ele, além de condução irregular de veículos, muitos adolescentes dirigem alcoolizados. “Como o acesso ao local é restrito aos veranistas, os adolescentes fazem as hoje conhecidas “baladas” na rua. Geralmente com muita bebida alcoólica”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
A Equipe dos Inconfidentes do Guarujá agradece suas criticas ou comentários. Continuem participando.