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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

VEREADOR BISPO MAURO RASPA CABEÇA EM FAVOR DE MUNÍCIPE

VEREADOR DE GUARUJÁ RASPA CABEÇA EM FAVOR DE MUNÍCIPE

ANA PAULA PUOSSO RASPOU SEUS CABELOS EM PROTESTO CONTRA O CANCELAMENTO DO BENEFÍCIO DO INSS; ELA SOFRE DE CARDIOPATIA CONGÊNITA E PEDIU APOIO AOS VEREADORES.


A Câmara de Guarujá foi palco, ontem, de uma atitude solidária há muito não vista na região. Sob os olhos dos demais colegas de plenário, funcionários da Casa e dezenas de munícipes presentes na sessão, o vereador Mauro Teixeira, o Bispo Mauro (PRB), raspou a cabeça em apoio a auxiliar de serviços gerais Ana Paula Costa Puosso e sua família e em repúdio à falta de atenção do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Momentos antes, também chamando a atenção dos presentes à sessão, Ana Paula fez o mesmo no Legislativo, conforme adiantado ontem (24) pelo Diário do Litoral, na matéria 'Casal protesta contra suspensão de benefício em Guarujá'. O marido, Daniel Rodrigues, igualmente acompanhou a esposa que, desde a última segunda-feira, vem protestando na porta do posto do INSS, na Avenida Adhemar de Barros, por conta ter seu benefício (R$ 1.300,00) suspenso pelo órgão.

“Por ser evangélico, sou testemunha que dezenas de pessoas com problemas psiquiátricos e outras enfermidades têm seus pedidos indeferidos pelo INSS. Por isso, em solidariedade à Ana Paula, que conheci hoje aqui na Câmara, resolvi raspar também a cabeça”, disse o vereador, que espera que o protesto sensibilize o órgão federal a avaliar os casos com mais cuidado e justiça.

Além de Bispo Mauro, a ação da família Puosso sensibilizou outros parlamentares, como o vereador Jaime Ferreira de Lima Filho (Jaiminho – PMDB), que é do Perequê (bairro onde mora a auxiliar) e fez questão de expor o problema da munícipe enquanto Ana tinha a cabeça raspada pelo marido.

Também em solidariedade, o presidente da Câmara, vereador Marcelo Squassoni (PRB), disse que iria providenciar os remédios para Ana e que também providenciaria uma comissão de vereadores para acompanhar o caso da munícipe junto ao INSS.

Após ter o cabelo raspado e momentos antes de se manifestar em plenário, Ana Paula foi irônica em relação à atenção dos governos diante dos anseios da população: “somos todos brasileiros carecas com nariz de palhaço”.

A doença de Ana Paula
Ana Paula sofre de uma cardiopatia congênita — doença na qual há anormalidade da estrutura ou função do coração, que está presente no nascimento, mesmo que descoberta muito mais tarde. Ela e a família — marido, o filho de sete anos e a sogra — sobrevivem porque se alimentam de comida vencida que pegam no lixo de supermercados.

Em entrevista ao DL, na última segunda-feira, na porta do INSS, Ana Paula revelou seu drama. “Eu tinha uma microempresa que prestava serviços de mão-de-obra na construção civil. Hoje, tenho que apelar para a comida descartada do supermercado. Meu marido não pode trabalhar porque sua mãe, que vive com a gente, teve um acidente vascular cerebral (AVC) e se locomove em uma cadeira de rodas”.

Ana Paula também sofre problemas psicológicos — depressão, bipolaridade e síndrome de pânico — dependendo de remédios controlados com dosagens altas. Para piorar, ela conta que seus medicamentos estão faltando na rede municipal de saúde. “Há muitas pessoas que estão sem os medicamentos e essa situação é cruel. Eu cheguei a receber R$ 1.300,00 por seis meses do INSS e, em abril último, a perícia resolveu indeferir meu benefício”.

Daniel faz tudo em casa em função da doença de esposa e da mãe. Ele gostaria de trabalhar de madrugada para poder sustentar a família, mas não consegue emprego. “Eu faço qualquer serviço. Se minha esposa estivesse com saúde, ela ficaria com minha mãe, que não consegue ir sequer ao banheiro”, afirma o marido de Ana Paula.

População mostra apoio à Ana 
Ivan Pereira de Lima, um dos cidadãos que estava nas galerias, disse que a situação não é boa para a Cidade. “Enquanto muitos têm privilégios, uma pessoa que necessita de cuidados não vem sendo atendida. Isso é péssimo”.

Luiz Carlos de Brito disse que a situação é escandalosa. “Conheço pessoas que não precisariam estar afastadas e estão. Li a reportagem hoje e acredito que ela tem direito ao benefício”. 

Osmir Antônio de Ângelo disse que Ana nada mais está fazendo do que buscando seus direitos e a Câmara seria um ambiente propício. “Também acredito que ela deveria acionar o Ministério Público porque, realmente, o INSS é uma vergonha. Minha mãe amputou uma perna e o órgão disse que ela poderia trabalhar”, exemplificou.

O ex-vice-prefeito Gentil Nunes revelou que os vereadores podem se articular e pressionar as autoridades e os órgãos públicos no sentido de dar atenção ao caso. “Aposentados e beneficiários do INSS vivem sendo penalizados. É preciso uma mudança radical nos serviços sociais brasileiros para que, um dia, se faça justiça”.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

PROTESTO CONTRA SUSPENSÃO DE BENEFÍCIO EM GUARUJÁ.

CASAL PROTESTA CONTRA SUSPENSÃO DE BENEFÍCIO EM GUARUJÁ.
ANA PAULA PUOSSO SOFRE DE CARDIOPATIA CONGÊNITA E NÃO ACHA O REMÉDIO QUE PRECISA


A casal de auxiliar de serviços gerais Ana Paula Costa Puosso e Daniel Rodrigues promete protagonizar uma situação inusitada hoje, às 15 horas, na sessão da Câmara de Vereadores de Guarujá, no Centro da Cidade: raspar a cabeça em protesto à suspensão do benefício de Ana Paula, afastada por doença pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

O protesto começou ontem (23). O casal, acompanhado do filho de sete anos e da mãe de Daniel, permaneceu das 7 às 18 horas na entrada do posto do INSS no Município, localizado na Avenida Adhemar de Barros. Ana Paula e Daniel vão ficar hoje também até as 15 horas, quando irão ao Legislativo para tentar sensibilizar os vereadores. Eles vão voltar ao posto na quarta-feira.

Por volta das 11 horas, Ana Paula — que sofre de uma cardiopatia congênita (doença na qual há anormalidade da estrutura ou função do coração, que está presente no nascimento, mesmo que descoberta muito mais tarde) — disse que sua família sobrevive porque se alimenta de comida vencida que pega no lixo de supermercados.

“Eu tinha uma microempresa que prestava serviços de mão-de-obra na construção civil. Hoje, tenho que apelar para a comida descartada do supermercado. Meu marido não pode trabalhar porque sua mãe, que vive com a gente também, teve um acidente vascular cerebral (AVC) e se locomove em uma cadeira de rodas”, explica Ana Paula, que também sofre problemas psicológicos — depressão, bipolaridade e síndrome de pânico — dependendo de remédios controlados com dosagens altas.

Para piorar, ela conta que seus medicamentos estão faltando na rede municipal de saúde. “Há muitas pessoas que estão sem os medicamentos e essa situação é cruel. Eu cheguei a receber R$ 1.300,00 por seis meses do INSS e, em abril último, a perícia resolveu indeferir meu benefício, fato que se repetiu no último dia 6”, explica, alertando que ontem, em função do protesto, uma nova perícia foi marcada. Ela vai se realizar no próximo dia 2, às 8 horas, com um médico diferente.

Daniel faz tudo em casa em função da doença de esposa e da mãe. Ele gostaria de trabalhar de madrugada para poder sustentar a família, mas não consegue emprego. “Eu faço qualquer serviço. Se minha esposa estivesse com saúde, ela ficaria com minha mãe, que não consegue ir sequer ao banheiro”, afirma o marido de Ana Paula.

Reportagem desrespeitada
Ontem, durante a apuração da história do casal, a Reportagem foi desrespeitada por um funcionário do posto do INSS. Ele saiu de seu ambiente de trabalho — em que tinha mais de 150 pessoas para atender — para fotografar, com o celular, a ação dos repórteres.

Depois, dentro do posto, o funcionário se negou a falar com a reportagem e de repassar o telefone da diretoria do órgão. Além disso, tentou convencer a segurança a expulsar a reportagem do prédio público, o que acabou não ocorrendo.

A Assessoria do INSS revelou ontem, por telefone, que uma nova perícia foi antecipada para hoje, às 15 horas (justamente no horário da sessão de Câmara) e que parentes de Ana Paula tentariam convencê-la a desistir do protesto. 

Fonte: Diário do Litoral