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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

COFRES VAZIOS E CAVIAR NO PRATO

A MARIA ANTONIETA DE SOBRAL
CHAMADO DE MARIA ANTONIETA DE SOBRAL, O GOVERNADOR DO CEARÁ MOSTRA QUE, AO CONTRÁRIO DOS ESTADOS VIZINHOS, NO SEU NÃO HÁ MISÉRIA.


Cid Gomes, governador do Ceará: cofres vazios, mas caviar no prato.
Revista Veja - 28/08/2013

Com a má fase da economia brasileira, o choramingo habitual dos estados por falta de verbas aumentou tanto que a última reunião dos secretários estaduais de Fazenda “parecia a pororoca do Rio Amazonas”, nas palavras do representante do Paraná, Luiz Carlos Hauly (PSDB).

O aperto é tamanho que, para muitos governantes, dar calote em fornecedores ou ter o fornecimento de luz cortado nas repartições públicas por falta de pagamento deixou de ser constrangimento para virar prática incontornável.

Mas em pelo menos um estado brasileiro esse chororô ainda não chegou. No Ceará do governador Cid Gomes (PSB) a vida é só alegria e abundância — ao menos nos seus domínios. Chamado pela oposição de Maria Antonieta de Sobral, o governador é conhecido por seu apreço pelas boas coisas da vida.

No começo deste mês, seu governo assinou um contrato de 3,4 milhões de reais com uma empresa encarregada de servir e decorar os eventos do Palácio da Abolição e da residência oficial do governador. No cardápio combinado, constavam pratos à base de caviar, lagosta e escargot, conforme revelou da tribuna da Assembleia Legislativa o deputado Heitor Férrer, do PDT.

Pego com a faca e o molusco na mão, Cid Gomes ficou irritado. Disse que nunca comeu “esse negócio de caviar” e que, diante da grita geral, iria ceder à “demagogia” e “mandar retirar todas as coisas exóticas” do cardápio. “Tudo que tiver nome francês, inglês, russo vai sair. Vai ficar só coisa com nome em português: arroz, feijão, carne, frango e peixe” (tanto desprendimento, porém, não foi suficiente para baixar o preço do contrato — o valor permanece inalterado).

Não foi a primeira vez que Cid Gomes foi acusado de excesso de generosidade com dinheiro alheio. Em 2008, o governador passou dez dias na Europa, acompanhado da mulher e da sogra, em um jatinho fretado que custou 388.500 reais aos cofres públicos.

De 2007 a janeiro de 2013, o estado do Ceará gastou 86 milhões de reais para contratar bandas e cantores para animar eventos. Ivete Sangalo, por exemplo, levou 650.000 reais para cantar em Sobral na inauguração de um hospital — cuja fachada ruiu um mês mais tarde. O cachê recorde foi para o tenor espanhol Plácido Domingo, que recebeu 3 milhões de reais para se apresentar em Fortaleza.

O projeto mais grandioso do governador, no entanto, a construção do terceiro maior aquário do mundo, orçada em 358 milhões de reais, está sendo questionado pelo Ministério Público. O MP suspeita de ilegalidade na contratação da empresa encarregada da obra. Mas o governo já prometeu brigar. Cid quer circo, e não gosta de miséria.

sábado, 28 de setembro de 2013

CONHEÇA A HISTÓRIA DO PROS, O MAIS NOVO PARTIDO DO PAÍS!

GASTEI O QUE TINHA NA SIGLA, DIZ DONO DO PROS
DONO DE UM CAMPO DE GRAMA SINTÉTICA, DE UMA VAN, DE UMA CASA SIMPLES E DE UMA IDEIA FIXA HÁ DEZ ANOS: SER DONO DE UM PARTIDO POLÍTICO.


Dono de um campo de grama sintética, de uma van, de uma casa simples e de uma ideia fixa há dez anos: ser dono de um partido político.

Esse é o perfil resumido de Eurípedes Júnior, 38, criador e presidente nacional do Pros, a mais nova legenda do país e que já atrai nomes como o governador do Ceará, Cid Gomes, de saída do PSB.

O sonho de Júnior, como é conhecido em Planaltina, cidade com 82 mil habitantes a 60 km de Brasília, foi realizado semana passada. "Muitos riam dele. Diziam que não tinha capacidade para isso", diz Regina das Chagas, secretária-geral da Câmara de Planaltina, presidida por Eurípedes de 2009 a 2010.

O sonho começou em 2003, segundo sua mulher, Sandra Caparrosa, 37, com quem é casado há 14 anos e tem uma filha. "Estou muito surpresa com tudo", diz Sandra, sentada no bar e restaurante que mantém em Planaltina, o "Biroska", a cerca de 500 metros da casa de muro sem acabamento onde vive com o marido, num bairro simples.

Buscou uma vaga de vereador em 2004, mas os pouco mais de 300 votos dos planaltinenses não foram suficientes. Mudou de tática: começou a doar bolas e outros acessórios esportivos para escolas locais, angariando simpatia da população e levando crianças para seu campo.

Com 810 votos em 2008, elegeu-se. Assim que assumiu, em 2009, virou o presidente da Câmara -hoje o Ministério Público cobra dele R$ 38 mil em salários pagos a mais para si mesmo e para os demais vereadores. Foi ali que achou a estrutura que precisava para criar a sigla.

No próprio gabinete, em meados de 2010, reuniu aliados, um advogado e pediu a assinatura de Regina das Chagas como secretária "emprestada": estava fundado o Pros, com ata e tudo.

Faltavam as assinaturas de 500 mil brasileiros. Ele passou a viajar o país. Segundo Regina, ele chegava a passar semanas fora de Planaltina.

"Ele sempre disse que queria ter um partido. Mas tinha que ser o dono, o presidente mesmo", diz Franciésio Nogueira, servidor da Câmara Municipal que o ajudou.

Ainda em 2010, tentou se eleger deputado estadual. Não conseguiu. Abandonou a Faculdade de Administração e passou a se dedicar somente à criação do partido.

Segundo Franciésio e Regina, com o apoio financeiro decisivo de "cinco empresários de São Paulo". "Eles doaram cinco carros pro partido, e um deles estava prometendo R$ 100 mil em dinheiro pra ajudar", disse Franciésio.

Mas Henrique Pinto, empresário da construção civil e agraciado com o título de presidente de honra do Pros, diz que a coleta de assinaturas foi bancada com recursos próprios. "Foi uma utopia, que nós fomos para cima com o coração e com a alma, na cara e na coragem", disse.

Na reta final, o partido contou com o apoio do empresário José Batista Júnior -que pertence à família que controla o grupo JBS- e de alguns governistas, já que deve seguir ao lado de Dilma.

Quem resume o caráter de investimento privado que tem a mais nova legenda é o próprio Júnior: "Vendi o que eu tinha. Vendi para poder fazer o partido. O pouquinho que eu tinha foi embora", afirma.