O Correio Popular, o maior jornal da Região Metropolitana de Campinas (RMC), deixou muitos cidadãos indignados com uma situação corriqueira, mas que é, sem dúvida alguma, o principal problema em nosso país: a impunidade.
No caderno de Economia, na seção Negócios, a jornalista Shelia Vieira, descreve um novo empreendimento na cidade de Campinas a ser instalado num terreno de 10 mil metros quadrados, onde funcionou o Shopping Jaraguá. Trata-se de “um moderno complexo com quatro torres de 27 andares cada, em estilo comtemporâneo, sendo duas unidades corporativas, com lajes de até 600 metros para locação e duas multiuso, com conjuntos a partir de 35m2. Haverá ainda um mall com serviços de apoio para os frequentadores do local, perfazendo um total de 4 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL)”.
A empresa responsável por esta obra é a Organizações Sol Panamby - holding que atua no ramo imobiliário e das comunicações, dentre eles: Shopping Serra Azul, na Rodovia dos Bandeirantes; rádio Nova Brasil FM; jornal financeiro DCI; emissoras afiliadas ao SBT (TVB Campinas e TVB Santos); Hotel Jaraguá e várias fazendas – que investirá um total de R$ 200 milhões no empreendimento, sendo 40%, nada mais nada menos, que R$ 80 milhões, de capital próprio.
O que mais me chamou a atenção na matéria é o proprietário da Sol Panamby: Orestes Quércia. Sua biografia oficial está no Blog Orestes Quércia (desativado desde dez/07).
A biografia começa assim: “Do menino do interior paulista a líder político de projeção nacional e empresário de sucesso, a trajetória de Orestes Quércia é um exemplo de luta, persistência, lealdade e preocupação com seus semelhantes”.
De fato, Quércia nasceu numa família extremamente humilde. Trabalhou desde menino, chegando a vender doces na estação de trem de sua cidade natal: Pedregulho. Sonhava em ser médico, mas seu paí não tinha condições financeiras para tal. Aos 17 anos, por problemas de saúde de sua mãe, mudou-se para Campinas. Nesta época, Quércia mantinha quatro empregos: escriturário concursado do DER, corretor de imóveis, locutor de rádio e repórter de jornal.
Em 1962, com apenas 25 anos, ingressou na vida pública como vereador na Câmara Municipal de Campinas e nunca mais saiu… Foi deputado estadual em 1966, prefeito de Campinas (1969), Senador (1974), vice-governandor de São Paulo (1982) e governador (1987). Em 1994, foi o canditado à presidência da República pelo PMDB, partido que ajudou a fundar e ainda é um dos seus “caciques”.
Durante a campanha da presidência, foi o primeiro candidato convidado do programa Roda Viva, da TV Cultura, episódio que ficou para a história… Um dos jornalistas tentou questionar Quércia sobre sua “FORTUNA” não compatível com os salários de homem público, mas aí… Bom, é melhor você tocar o play e conferir a postura e a “estratégia” do Orestes Quércia para evitar o embate.
Convidamos você a fazer uma conta simples. Imaginemos que o Quércia recebeu R$ 40 mil todo santo mês como político, dos 25 anos, quando se tornou vereador, até hoje. São 46 anos. R$ 480 mil por ano. Perfazendo um total de pouco mais de R$ 22 milhões.
Ora, só neste mega empreendimento em Campinas sua empresa investirá R$ 80 milhões!!!
Só não vê quem não quer! E por que até hoje este cidadão não foi punido por seus crimes¹? A resposta é simples: o Orestes Quércia está no País da Impunidade, onde as Leis só servem para alguns poucos e assim, os Inimigos do Brasil, integrantes da Máfia Brasileira, vivem livres, leves e soltos.
Confira também:
Você sabia que existe uma Lei que trata da Improbidade Administrativa e Enriquecimento Ilícito¹ daqueles que exercem funções públicas? E que qualquer Cidadão de Bem pode prestar denúncia-crime contra funcionário público, vereador, deputado, governador, senador e até contra o presidente da República?
Conheça estes dispositivo legais disponíveis à toda sociedade brasileira e exerça sua cidadania fazendo valer os seus direitos:
LEI Nº 8.429 (02/Junho/1992): Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências
ATO COMPLEMENTAR Nº 42 (27/Janeiro/1969): Dispõe sobre a decretação do confisco de bens de de pessoa natural ou jurídica acusada de enriquecimento ilícito